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domingo, 17 de junho de 2012

ainda sobre gobalização


Uma das características do que chamo de "modernidade sólida" era que as maiores ameaças para a existência humana eram muito mais óbvias. Os perigos eram reais, palpáveis, e não havia muito mistério sobre o que fazer para neutralizá-los ou, ao menos, aliviá-los. Era óbvio, por exemplo, que alimento, e só alimento, era o remédio para a fome.
Os riscos de hoje são de outra ordem, não se pode sentir ou tocar muitos deles, apesar de estarmos todos expostos, em algum grau, a suas consequências. Não podemos, por exemplo, cheirar, ouvir, ver ou tocar as condições climáticas que gradativamente, mas sem trégua, estão se deteriorando. O mesmo acontece com os níveis de radiação e de poluição, a diminuição das matérias-primas e das fontes de energia não renováveis, e os processos de globalização sem controle político ou ético, que solapam as bases de nossa existência e sobrecarregam a vida dos indivíduos com um grau de incerteza e ansiedade sem precedentes.
Diferentemente dos perigos antigos, os riscos que envolvem a condição humana no mundo das dependências globais podem não só deixar de ser notados, mas também deixar de ser minimizados mesmo quando notados. As ações necessárias para exterminar ou limitar os riscos podem ser desviadas das verdadeiras fontes do perigo e canalizadas para alvos errados. Quando a complexidade da situação é descartada, fica fácil apontar para aquilo que está mais à mão como causa das incertezas e das ansiedades modernas. Veja, por exemplo, o caso das manifestações contra imigrantes que ocorrem na Europa. Vistos como "o inimigo" próximo, eles são apontados como os culpados pelas frustrações da sociedade, como aqueles que põem obstáculos aos projetos de vida dos demais cidadãos. A noção de "solicitante de asilo" adquire, assim, uma conotação negativa, ao mesmo tempo em que as leis que regem a imigração e a naturalização se tornam mais restritivas, e a promessa de construção de "centros de detenção" para estrangeiros confere vantagens eleitorais a plataformas políticas.
Para confrontar sua condição existencial e enfrentar seus desafios, a humanidade precisa se colocar acima dos dados da experiência a que tem acesso como indivíduo. Ou seja, a percepção individual, para ser ampliada, necessita da assistência de intérpretes munidos com dados não amplamente disponíveis à experiência individual. E a Sociologia, como parte integrante desse processo interpretativo — um processo que, cumpre lembrar, está em andamento e é permanentemente inconclusivo —, constitui um empenho constante para ampliar os horizontes cognitivos dos indivíduos e uma voz potencialmente poderosa nesse diálogo sem fim com a condição humana.
PALLARES-BURKE, Maria Lúcia Garcia. Entrevista com Zigmunt Bauman. Tempo soc. [online]. 2004

Cenário Mundial


Crise internacional terá efeito pelos próximos dois anos, diz Tombini
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou nesta terça-feira (12) que a crise internacional trará volatilidade aos mercados e crescimento abaixo do esperado para a economia global pelos próximos dois anos.
"Nosso cenário básico é que teremos, ao longo dos próximos dois anos, volatilidade dos mercados internacionais e crescimento abaixo do que se esperava", declarou Tombini, durante audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), no Senado Federal.
A expectativa é que a economia global cresça somente 2,3% neste ano, abaixo dos quase 3% esperados pelo mercado no final do ano passado.
O presidente do BC ressaltou que, do início deste ano para cá, a economia européia teve uma "recaída" na crise por conta da dívida grega e dos recentes questionamentos sobre o sistema financeiro na Espanha.
O PIB (Produto Interno Bruto) da União Europeia deve cair 0,35% neste ano, lembrou Tombini, e crescer 1% no ano que vem.
No caso dos EUA, ele afirmou que a perspectiva é de expansão "moderada". "A economia americana não crescerá mais a 3%, 3,5% ao ano, mas sim na faixa dos 2% a 2,5% ao ano. Mas está ocorrendo uma recuperação."
Sobre a China, a visão é que, a despeito da desaceleração do crescimento do país asiático (a meta é de crescimento de 7,5% neste ano), haverá uma transição suave. "A China tem capacidade de coordenar e administrar um pouso suave da sua economia. Ela tem instrumentos para tanto."

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A formação que acerta - acerca do mundo Globalizado

Em seu livro o "O mundo é Plano" de Thomas Friedmann no capítulo seis, Thomas Friedmann se pergunta: "Qual é o tipo certo de ensino prara prprar nossos jovens para esses empregos". (p.324) Se refere as esses empregos como os empregos do mundo globalizado, os empregos do futuro. E citatando um economista afirma que: "No futuro, o modo como educamos nosso filhos poderá se mostrar mais importante do que o quanto nós o educamos" (idem).
"Qual a formação que acerta? Qual é a 'educação certa' que os jovens precisma pra se preparar pra o empregos no novo centro? E como criar isso?" (idem). Há quatro qualidade e atitudes a serem tomadas para alcançar o novo "centro" da globalização.
1) A mais importante capacidade do mundo globalizado é a capacidade de "aprender a aprender". "... para abosorver constantemente, e eninsar a si próprio, maneir as novas de fazer coisas velhas ou maneiras novas de fazer coisas novas. Está é a capacidade que cada trabalhardor deveria cultivar numa era em que muitos empregos, em parte ou totalidade, serão constantemente expostos a digitação, automação e terceirização, e em que cada vez mias rapidamente surgirão novs empregos e indústrias totalmente novas. Neste mundo, não é apenas o que você sabe, mas como você aprende o qeu vai diferenciá-lo. Porque o que você sabe hoje estará desatualizado mais cedo do que você pensa" (324).
Fridman retrata uma pergunta que uma estudante fez a ele "como se aprende a aprender?"
" - Procure seus amigos e faça a eles uma so pergunta: 'Quem são seus professores favoritos? Então faça uma lista destes professores, vá e faça seus cursos, não importa o que eles estam lecionando nem aula ou assunto.
Não importa se eles estajam ensinando mitologia grega, cálculo, história da arte ou literatura americana - faça seus cursos. Porque quando me lembro dos meus professores favoritos, não me lembro especificamente do que eles me ensinaram, mas me lembro bem de ficar animado a aprender. O que ficou comigo não são os fatos que eles transmitiram, mas o entusiasmo com o aprendizado que inspiravam em mim. Para aprender como aprender, você tem que amar aprender - ou pelo menos tem que gostar - , porque em grande parte tem a ver com a motivação para ensinar a você mesmo. E embora pareça que algumas pessoas simplesmente nascem com motivação, muitas outras podem desenvolvê-la ou tê-la implantada poelo professor (ou pai, ou mãe) certo.
 QC+QP>QI" (325) (traduzindo: Quaociente de Curiosindade mais o Quociente de Paixão é maior que o Quaciente de Inteligência).
2) O segundo Paixão e Curiosidade
"Dê-me um jovem com paixão por aprender e curiosidade para descobrir e vou lhe dar preferência sempre, em vez de um jovem menos apaixonados e com alto grau de QI. Porque crianças curiosas e apaixonadas são autoeducadoras e automotivadoras.(....) 'O trabalho tem importâncias' disse Searls, 'mas a curiosidade tem mais importância. Ninguém trabalha mais duro do que uma criança curiosa'" (326)

3) Você precisa gostar de pessoas.
"Você precisa ser bom em lidar ou interagir com outras pessoas. Embora ter boas habilidades inter-relacionais ou interagir com outras pessoas."

4) É nutrir a parte direita do cérebro assim como a esquerda.
Friedman cita Daniel Pink, sobre a funcionalidade do cérebro:
"O hemisfério esquerdo lida lida com sequência, entendimento literal e análise. O hemisfério direito, por sua vez, cuida do contexto, expressões emocional e síntese. (...) Os dois hemisférios trabalham em conjunto, e usamso ambos em quase tudo o que fazemos. Mas a estrutura do nosso cérebro pode ajudar a explicar os contornos de nossos tempos.
Até recentemente, as habilidades qeu levavam ao sucesso na escola, no trabalho, nos negócios, eram as características do hemisférios esquerdo. Eram os tipos de talento linear, lógico e analítico medidos em testes de admissão para universidades. Hoje, essas capacidades ainda são necessárias. Mas já não é o suficientes. Num mundo virados às avessas pela terceirização, inundados de dados e sufocado por escolhas, as habilidades que mais importam estão agora masi proximos em espírito das especialidades do hemisfério direitos - vocaçoes, empatia, ter visão globar e a busca do que transcende" (Pink, in Friedman, p. 329-330).

 

domingo, 27 de maio de 2012

Introdução à Ética – leitura de Vázquez


Colocação do Problema: Quando falamos dos problemas de filosofia prática, especialmente os chamados problemas éticos e morais, este problemas são evidentemente óbvios como, por exemplo: ‘Devo cumprir a promessa que fiz a um amigo?’; ‘É legítimo agredir alguém em defesa própria?’; ‘Um soldado que mata em nome da pátria é culpado pelos crimes?’; ‘Em algumas ocasiões posso mentir para o bem da maioria?’; e outros.
Estes exemplos são alguns exemplos de problemas práticos que se apresentam na vida das pessoas. Todos estes problemas não dizem respeito somente a pessoa que é acometida deles, mas também dizer respeito a ‘outras pessoas que sofrerão as conseqüências de sua decisão ou da sua ação’ (Vázquez, p.16), e em alguns casos dizem respeito a toda humanidade.
Quando escolhemos agir ou analisamos ações de outras pessoas eminentemente emitimos juízos morais. Quando emitimos juízos morais aceitamos uma norma. A norma é tida como obrigatória a todos que a aceitam, e compreendem que tem o dever de agir desta ou daquela forma. No caso de alguém não agir conforme a norma aceita nos a repudiamos a ação, e consideramos errada ou má.
Uma decisão moral sempre é uma ação ou um juízo refletido, que exige a compreensão da norma.Quando nos deparamos com tais tipos de ações ou decisões nos deparamos com tal tipo de conduta humana nos deparamos com o campo da moral.
O campo da moral sempre tem dois aspectos relevantes o subjetivo e o intersubjetivo:
“de um lado, atos e formas de comportamentos dos homens em face de determinados problemas, que chamamos de morais, e, de outro lado, juízos que aprovam ou desaprovam moralmente os mesmos atos” (Vázquez, 16).
As normas são sempre uma interpretação própria das pessoas e está ligada à sua sociedade.O primeiro aspecto íntimo ou pessoal, que leva um sujeito a agir desta ou daquela maneira frente a certos problemas específicos, esta é uma característica pessoal, um característica com grande carga psicológica, uma consciência da ação. O segundo aspecto mais social, diz respeito a juízos que emitimos sobre ações de outras pessoas, está “sujeito a variações de época para outra de uma sociedade para outra, remonta até as próprias origens do humano como ser social”(Vazquez, p.17). De forma geral deveríamos ter a mesma norma para emitir juízos sobre ambos os casos.
A reflexão sobre estes problemas práticos é a teoria moral, que nada mais é do que o campo da Ética. A teorização destes problemas pertence ao campo da filosofia, como reflexão mais aguda sobre estes princípios.
Quando nos deparamos com estes tipos de problemas morais na nossa vida, normalmente usamos regras aceitas pela sociedade, e argumentos que justificam nossa decisão, ligada a religião ou a lei.
Este aspecto comum da moral leva culturas ou sociedades, a variar suas normas do que consideram certo ou errado. Esta variação de normal leva a uma relativização, apesar de ser inerentes a todos os seres humanos, enquanto seres de relacionamentos.
Todas as sociedades e também todas as pessoas se deparam com questões práticas no se cotidiano, são situações que muitas vezes são extremamente complicadas de escolher, onde o certo e errado não estão sempre evidentes. Por isso se diz que todas as pessoas pensam a moral. Já por outro lado tratar teoricamente e de forma genérica destes problemas é assunto da ética.
Para Vázquez a ética busca dizer se um ‘comportamento é pautado por normas, ou em que consiste o fim – o bom – visado pelo comportamento moral, do qual faz parte o procedimento concreto” (cif. 17).
O problema de agir de acordo com uma norma ou regra não é um problema ético, mas moral prático de cada pessoa. É interessante notar que a ética determina regras e normas gerais, mas não determina a moral. Uma investigação teórica determina os limites do certo e do errado, do bem e do mal, mas não determina o que devemos fazer. A esfera da ação é sempre uma questão particular prática.
A moral implica numa questão intransferível que é o problema da liberdade e da responsabilidade. Esta é a característica fundamental da moral. O sujeito é responsável pelo que vai fazer, estudando ou não ética. Todo pessoa pode escolher agir desta ou daquela forma, quando isto ocorre o homem é responsável.
Os problemas morais práticas e teóricos são diferentes, mas muitas vezes seus limites são sutis, e se implicam.
A ética influi para fundamentar e justificar a conduta do ser humano, mas não pode nunca decidir pelo ser humano, a decisão é uma ação própria de cada individuo. A reflexão ética chega a colocar diferentes formas do que é bom, seja a felicidade, o poder, o prazer...
A ética implica em toda a esfera do comportamento humano, como na política, na ciência, na arte, no direito....
A reflexão filosófica da moral, ou seja, a ética; esta pode parecer uma reflexão estéril quando se afasta dos problemas práticos, e permanece uma teoria em si mesma. A relação da ética coma moral é indireta, mas contundente: “ao definir o que é o bom, se está traçando um caminho geral, em cujo o marco os homens podem orientar a sua conduta nas diversas situações particulares” (Vazquez, p.18

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Globalização

çãSe
Interpretação do vídeo
1) Há dois tipos de globalização segundo o video, caracterize estas duas etapas?
2) Explique o signficia dizer que o "consumismo é o grande fundamentalismo"?
3) O desenvolvimento do Norte é diferente ao desenvolvimento do Sul, porque possuímos o "terceiro mundismo" mais forte do que na época da guerra fria?
4) Explique o que é o "consenso de Washington" (1989), - os países retomassem a trilha do desenvolmvimento? Qual qual o problema deste modelo americano?
5) A única crise que importa para o capitalismo é a crise econômica, explique este modelo restrito de crise, que possui um aspecto ideológico?
6) Qual o modelo ideológico de Estado pregado pelos países desenvolvidos, qual é o modelo de Estado praticado?
7) O que significia uma nova divisão internacional do trabalho a paritr da globalização?
8) Explique o papel dos meios de comunicação (mídia) para a globalização? 
9) Qual a relação da ética e justiça que permea a globalização? Como deveria ser?
10) Como é a democracia num mundo globalizado?
Reflexão
No Livro "O mundo é Plano" Thomas L. Friedman destacando os momentos da Globalização, carcteriza-a em três períodos históricos: Globolaziação 1.0 "A primeira se estendeu de 1482 - quando Colombo embarcou, inaugurando o comércio entre o Velho Mundo e o Novo - até por volta de 1800. (...) o princípal agente e mundaça, a força dinâmica por trás do processo de integração globar, era a potência muscular (a quantidade de força física, a quantidade de cavalos-vapor, a quantidade do vento ou, mais tarde, a quantidade de vapor). Globalização 2.0 de 1800 a 2000: "O principal agente de mudança,, a força dinãmica que moveu a integração global, forma as empresas multinacionais, que se expandiram em busca de mercado e mão de obra - moviemento emcabeçado pelas sociedades, por ações inglesas e holandesas e pela Revolução Industrial". A Globalização 3.0 que ocorreu a partir de 2000: "a força dinâmica vigente é a recém descoberta capacidade dos indivíduos de colaborarem e concorrerem no âmbito mundial. (...) Como resultado, cada pessoa agora precisa, e pode, perguntar: como é que eu me insiro na concorrência global e nas  oportunidades que surgem a cada dia e como é que o eu posso, por minha própria conta, colaborar com as outras pessoas no âmbito global?" (p. 19-22). A partir do filme e da citação, pesquise e caracterize os três momentos da globalização, atentando principalmente para a globalização 3.0, nos aspectos econômicos, ideológicos e poltíticos.



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A fundamentação da moral e a religião.

"A dificuldade nao é a de estas questões [éticas/morais], que podem ser resolvidas com normas fundadas na religião, envelheceram, mas sim a de que se deve pôr em duvida a possibildade de ainda hoje fundamentar, sobretudo religiosamente, as normas morais. Uma tal fundamentação pressupõe qeu se é crente. Seria intelectualmente desonesto manter-se ligado a respostas religiosas para as questões morais, apenas porque elas permitem soluções simples, o que nao corresponderia nem à seriedade das questões, nem à seriedade  exigida pela crença religiosa. Entretanto, também o crente nao pode mais fundamentar suas normas morais em sua crença religiosa, pelo menos se ele leva a sério o nao crnete e aquele que possui uma crença diferente da sua. Pois a observância das normas morais é algo que podemos exigir de todos (de qualquer forma assim parece ser), e, para podermos faze-lo, devemos também esperar que isso possa ser tornado compreensível para todos" Tugendhat , p.13 - Liçoes sbre ética.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Cultura, Ethos e a Ética

Este texto é uma abordagem que levanta questões referentes a diversidade e a unidade na ética.
Por Ivan Luís Schwengber


Baseado no texto de Nilo Agostini. Ética e Evangelização: A dinâmica da integração na recriação da moral. Petropolis, RJ, 1993

As culturas são produto de uma época, estão inseridas em um espaço e tempo. A partir das culturas desenvolvem-se regras e valores. Se partirmos de uma fundamentação cultural para pensar a ética chegamos ao pressuposto de que o certo e errado de cada sociedade e povo é de acordo com sua cultura. Isto por si só nos causa um mal estar prévio e indigerível, o de que tudo é relativo . O que é inevitável é que o certo e o errado estão marcados profundamente pelas circunstâncias espaço-temporal. O que caberia perguntar é que se este profundamente é fundamentalmente ou não: se o certo e o errado são fundamentados na cultura.

Partiremos do fenômeno de que o certo e o errado de cada povo se manifestam diversamente em povos e culturas diferentes.

O estudo do certo e o errado nas diferentes culturas chamaremos de Ethos. Ethos é o aspecto moral das diferentes culturas , haja vista que o conceito de cultura é demasiadamente amplo para o tratamento filosófica do aspecto ético, pois incluí todas as realizações de um povo sejam materiais ou intelectuais, então para restringir o aspecto cultural que nos interessa neste texto, chamaremos de ethos.

O Ethos é o caráter de um povo, um modo de ser, a Etologia era segundo Wundt, o estudo das manifestações históricas dos costumes e da moralidade, . A partir do Ethos é possível buscar um alicerce das origens das normas nas diferentes culturas. Cada ser humano em sua existência é obrigado a se organizar, desafiado a selecionar as melhores respostas frentes aos desafios. O conjunto destas respostas selecionadas por um povo caracteriza o modo de habitar de morar no mundo.

Esta forma de morar no mundo caracteriza a moral e as normas comuns. O Ethos é manifestado de forma inconsciente e hereditária, pré-disposta ao jeito das pessoas, são anexada e corrigida em novas experiências sócio-culturais. Onde não compreendemos muitas vezes o significado imediato da ação moral. Assim quando fizemos algo errado imediatamente salta-nos um sentimento de remorso ou arrependimento, muitas vezes não temos claro o porquê de determinada ação causar-nos algum tipo de sentimento negativo.

Obviamente que o ethos de uma sociedade não é estático, mas está em constante mudança em termos de adaptações a partir de intercâmbios sociais. Existem fenômenos e fatos morais em determinada sociedade que fazem surgir adaptações e compreensões de determinadas circunstâncias morais que anteriormente não havia. Isto significa que a experiência provoca novas compreensões da realidade. Um exemplo clássico disso seria a lei de habeas corpus, em que antigamente era legitimado torturar até a morte um suspeito o que hoje não é legitimamente (oficialmente) aceita, apesar de no senso comum em frente a crimes hediondos as pessoas em círculos cotianos defenderem enfaticamente o seu uso.

O ethos é a objetivação fenomênica da moral (que por vezes cai no moralismo ). Porém ethos e ética são conceitos diferentes. Ética é um conceito de ordem racional, que reflete sobre os fenômenos morais, já o ethos é a manifestação da moral em termos sociais e espontâneos – até inconscientes.

A partir do ethos têm-se geradores sociais da moral – fundamenta sócio-culturalmente a moral. Há uma identificação do sujeito com sua cultura: quando emitimos juízos de valor similares as pessoas de nossa cultura, sem ter qualquer fundamentação ética para isso. Em outras palavras sujeitos diferentes consideram certo ou errado de forma parecida, sem ter qualquer justificação racional para isso.

Na verdade o ethos é o que permite discutir efetivamente leis jurídicas, normas morais e sociais na prática, mesmo sem nunca ter lido leis e refletido sobre elas.

Como é possível captar o ethos? Não é possível ter acesso ao ethos meramente com o intelecto, mas indo além das evidências. É a partir da fundamentação valorativa e normativa de um grupo. É necessário ir além da historicidade das manifestações de grupos, buscando captar o ser. Essa captação do ser se dá dialeticamente. A dialética permite captar o ethos não como algo estático – “é”; mas com dinâmico, sempre um renovado “vir a se”/ “poder ser”.

Essa dialética se dá através do diálogo com o outro, o “face a face”, uma negação da totalidade firmando a finitude. É nas manifestações espontâneas, nas relações simples entre sujeitos que o ethos aflora. Neste vasculhar de relações cotidianas percebe-se o ethos de um povo, num saber que brota de experiências fecundas. Nas relações valorativas e normativas que permeiam contextos sociais, políticos e culturais. Neste certo e errado espontaneamente aceito, mas somente identificado a luz de uma compreensão mais profunda. Os provérbios são um bom exemplo de ethos manifestado.

Ética, Moral e Ethos.

A moral e ética são etimologicamente similares, porém a moral se refere mais as regras e costumes que orientam o agir humano, a consciência individual; ao passo que a ética busca fundamentar teoricamente a moral. Porém o termo moral também foi historicamente usado como conjuntos doutrinário de regras, como a moral cristã, por exemplo; e neste sentido moral estava ligado ao domínio e ao poder estabelecido. Enquanto que a ética surge como uma reflexão sobre a moral, e por vezes é uma tentativa de buscar uma nova moral para reagir ao domínio estabelecido.

O ethos é o substrato da ética. É a manifestação coletiva e espontânea da ética, comportando valores e contra-valores de uma sociedade. O Ethos necessita de um discernimento e depurativo reflexivo sendo ingênuo e não autocrítico, podendo servir como forma de subjugação das pessoas. O ethos está ligado umbilicalmente a moral, sua codificação de regras e por isso pode servir para manutenção do poder.

A moral conectada ao ethos produz “cegueira ideológica” e absolutização do relativismo, justificando discriminações, preconceitos e domínio de outras pessoas e outras culturas. O embotamento moral é evitado quando se recupera o dinamismo metafísico experienciando a alteridade. A alteridade é compreensão da diversidade e da multiplicidade na relação com o outro, em oposição a identidade e unidade.

Resultado desta corrente é não temer da diversidade e multiplicidade.

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