quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela." Camus

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

E sofremos pelos problemas...

"E não há de se maravilhar que os mais profundos problemas não sejam propriamente problemas" (Wittgenstein)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A informatização no processo de democratização do Brasil

Como a internet pode aumentar a participação cidadã no povo brasileiro? Como a internet está mudando nossas vidas? (Na escola, relacionamentos...)

domingo, 4 de outubro de 2009

O que é dialética

Origens da Dialética
Segundo Aristóteles Zenon de Eléia foi o fundador da Dialética, porém no sentido moderno da palavra podemos considerar Heráclito de Efeso o fundador. A dialética desde o início pode ser considerado uma forma de pensamento que sempre foi considerada como secundária. A dialética é uma forma de pensamento que pretende entender o movimento. O próprio Heráclito foi considerado, obscuro e os gregos preferiram permanecer como as posições de Parmênides, considerada Metafísica, que pretendia compreender a essência imutável da realidade.
“De formão geral, independentemente das concepções dos filósofos, a concepção metafísica prevaleceu, ao longo da história, porque correspondia, nas sociedades dividas em classes, aos interesses das classes dominantes, sempre preocupadas em organizar duradouramente o que já está funcionando, sempre interessadas em “amargar” bem tanto os valores e conceitos como as instituições existentes, para impedir que os homens cedam à tentação de querer mudar o regime social vigente” (Konder, 1981, 9)
Tanto os Clássicos gregos, (Sócrates, Platão e Aristóteles) consideravam o movimento mas limitado, conforme a concepção limitada de mundo. Já na idade Média a filosofia ficou diretamente atrelada a Teologia, somente são destacadas as tentativas de Averróes e Abelardo tentaram fazer da filosofia uma disciplina independente.
Destaca-se Guilherme de Occam que Deus tinha movimento ilimitado e portanto o estudo das coisas empíricas deviam ter um estudo próprio.
Com uma serie de mudanças a partir do século XIV, as concepções começar a mudar: dentre elas a revolução astronômica de Copérnico em relação a visão antropocêntrica de Ptolomeu; e a mobilidade dos corpos que aparentemente estavam em repouso, de Galileu e Descartes. Pico de la Mirondola (1463-1494) sustentando o homem como inacabado, e Giordano Bruno como mundo infinito.
Destacam-se os pensadores Leibiniz, Spinoza, Hobbes, Montaigne..., em tentativas isoladas em dar novos rumos à dialética. Os Iluministas como sua racionalidade deram novos ânimos, destacando-se Denis Diderot.
Diderot compreende o indivíduo subjugado as forças sociais, aconselhando que todos refletissem sobre as instituições: “Desconfiem de quem quer impor a ordem” (Diderot, in Konder, 1981, 17).
Rousseu também merece destaque, argumentando em favor do indivíduo livre que é acorrentado pelos elos sócias.
O trabalho
As mudanças sociais às vésperas da Revolução Francesa, marcar profundamente o pensamento de Kant, que apesar da vida estável e considerado o maior pensador metafísico, não deixou de penar as contradições da época.
Observou que o ser humano não registra passivamente a realidade, numa das mais fantásticas obras filosóficas estabeleceu os limites do conhecimento humano, sem deixar de reconhecer que “existiam certas contradições – as ‘antinomias’ – que nunca poderiam ser expulsas do pensamento humano por nenhuma lógica” (Konder, 1981, 21-22)
Hegel propondo uma superação da concepção kantiana afirma que não podemos pensar a partir do conhecimento e sim a partir da questão do ser. Concordava com Kant quando esta afirmava a intervenção do pensamento na realidade (principalmente com a queda de Bastilha – Revolução Francesa).
Porem o encanto com a Revolução logo caiu, e Hegel constatou que em última instancia não é o sujeito que transforma o mundo, mas a própria realidade.
“Hegel percebe que o trabalho é a mola que impulsiona o desenvolvimento humano; é no trabalho que o homem se produz a si mesmo; o trabalho é núcleo a partir do qual podem ser compreendidas as formas complicadas de atividade criadora do sujeito humano.” (Konder, 1981, 23-4)
É o trabalho que transforma a realidade e o sujeito, enquanto diferente da natureza. O trabalho diferencia o homem-sujeito da natureza-objeto, e faz o homem ir além da natureza e dominar parte dela.
O trabalho serve para compreendermos, segundo Konder, a “superação dialética” (26), num suspender (aufheben) da realidade.
“Para ele, a superação dialética é simultaneamente uma negação de uma determinada realidade, a conservação de algo de essencial que existe nessa realidade negada e a elevação dela a um nível superior” (Konder, 1981, 26)
A obscuridade idealista de Hegel é superada por Marx. Hegel teria visto a unilateralmente o trabalho, dando demasiada importância ao trabalho intelectual, impedindo de perceber a aplicação social e material da sociedade capitalista divididas em classes, míope para esta alienação.
[a lógica dialética segundo Hegel, é uma tentativa muito simplificada de compreender a tripé lógico e dinâmico do conhecimento.
A alienação
O trabalho que é a criação de si, se deformou pela divisão social do trabalho. Com a privatização das fontes (meios) de produção pelas classes dominantes, estes impõem ao trabalhador formas não assumidas livremente. Esta forma de dominação é ideologia, valores impostos pela elite. [em últimos casos recorrem a dominação material do trabalhador, a necessidade que ele tem de viver enquanto ser biológico o obriga a aceitar baixos salários, - esta idéia, de uma certa automatização do materialismo é criticada pelo Konder na pagina 65,].
“As condições criadas pela divisão do trabalho e pela propriedade privada introduziram o ‘estranhamento’ entre o trabalhador e o trabalho, na medida em que o produto do trabalho,antes mesmo de o trabalho se realizar, pertence a outra pessoa que não seja o trabalhador. Por isso, em lugar de realizar-se no seu trabalho, o ser humano se aliena nele; em lugar de reconhecer-se em sua próprias criações, o ser humano se sente ameaçado por elas. em lugar de libertar-se, acaba enrolado em novas opressões” (Konder, 1981, 30)
[acontece que o processo dialético entre o patrão e operário torna-se unilateral. Quando o burguês dispunha das ferramentas e outros meios de produção ele necessitava do proletário para produzir; por sua vez o trabalhador que possuía a capacidade de transformar a natureza (trabalhar) necessitava do patrão para exercer seu ofício. Porém com a divisão do trabalho (esteiras) o trabalhador não domina mais o todo do trabalho, e freqüentemente tem uma especialidade que não permite reconhecer-se no produto final (todo produzido). Acontece que o trabalhador torna-se uma peça da engrenagem, e é facilmente substituído. O trabalhador perde poder de barganha –negociação. Se antes um precisava dou outro, com a divisão social do trabalho isto não acontece mais.]
A única forma de desalienação é a Revolução Socialista. A luta de classes é continua na sociedade, até tornar-se insustentável. A capitalismo se torna incontrolável, devida a competição surgem novas tecnologias, provocando desperdício de recursos naturais e surgindo os monopólios. Os próprios burgueses perdem a noção totalizante.
A totalidade
“...para encaminhar uma solução pra os problemas, o ser humano precisa ter uma certa visão de conjunto deles: é a partir da visão de conjunto que a gente pode avaliar a dimensão de cada elemento do quadro.” (Konder, 1981, 36).
O sistema capitalista impede que o patrão seja generoso com o operário, assim ele sempre enquanto patrão deve ter a empresa dele fazendo concorrência, se ficar com um funcionário ineficiente não consegue mais competir.
As sínteses nunca são definitivas, há sempre partes da realidade a descobrir, “a totalidade é mais que a soma das partes” (37). É necessário manter-se as sínteses em vista do momento, pois só assim compreendemos o movimento dialético.
“Afinal, a dialética – maneira de pesar elaborada em função da necessidade de reconhecermos a constante emergência do novo na realidade humana – negar-se-ia caso cristalizasse ou coagulasse suas sínteses, recusando-se a revê-las, mesmo em face de situações modificadas” (Konder, 1981, 39)
A contradição e a mediação
A investigação totalizante da realidade é problemática e sempre depende de analises praticas, assim quando falamos em sociedade não encontramos propriamente mais que pessoas convivendo, o conceito de sociedade é já uma síntese que não está concretamente explicada no soma dos indivíduos. Estas síntese podem facilmente cair no irracionalismo, que são aparentes, vazias e desestimulantes.
A dialética necessita de um laborioso trabalho de reconhecimento do tecido, que são as contradições especificas das partes em relação ao todo. Assim contra os irracionalistas (intuição imediata) surge em Marx a necessidade de mediação da realidade. Estas mediações forçam o reconhecimento das contradições. Contradição não pode ser compreendida como forma lógica, mas como partes da realidade que só podem ser conhecidas no todo, inclusive as partes que lhe são diferentes.
Fluidificação dos conceitos
Para Marx, Hegel considerava o homem somente espiritual, ele diz que nos somos corpos; que não é espírito que muda a realidade e sim a matéria. A natureza humana só é compreendida na história, porem Marx reconhece que existem aspectos que perduram no tempo. Diz que só é pensada a mudança em confronto com a permanência.
A fluidificação dos conceitos reconhece sempre os dois lados da realidade, optando por esta contradição.
As leis da dialética
Engels com ajuda de Marx, preocupou-se em estabelecer as leis dialéticas, e para que estas tivessem algo a ver com a natureza. As leis são as seguintes:
“1) lei da passagem da quantidade à qualidade (e vice-versa)”, nem todas as coisas mudam no mesmo ritmo, e alem das mudanças quantitativas ocorrem os saltos qualitativos.
“2) lei da interpretação dos contrários” , que as coisas não podem ser compreendidas isoladamente, deve sempre ser compreendida no contexto, formando a luta dos contrários ou unidades contraditórias.
“3) lei da negação da negação” (Konder, 1981, 58). É a defesa do sentido, onde as contradições nunca permanecem negativas, são portanto sempre sintéticas, negação da negação.
A dialética não pode ser coisificada ou codificadas, é nesse sentido limitativa as leis de Engels.
O sujeito e a história
Com a morte de Marx os críticos se lançaram como lobos sobre a dialética. O alemão Eduard Bernstein (1850-1932), afirma que o capitalismo estava mais forte que nunca, e sugeriu o abandono da dialética. Karl Kautsjy (1854-1938), confunde o marxismo como o evolucionismo de Darwin.
No ventre a sociedade soviética prevaleceu a posição antidialética de Stálin, simplicista demais, ignorou as mediações e trabalhava objetivamente. Eliminado objetivamente o que considerava uma ameaça. Foi isolada as tentativas de Lukács, Gramsci e Walter Benjamin

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