quinta-feira, 24 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
O conhecimento: apontamentos didáticos.(texto introdutório)
Por Ivan Luís Schwengber 2011
Introdução
O conhecimento sempre esteve intimamente ligado ao desenvolvimento das reflexões filosóficas, e por vezes, como é o caso na Idade Moderna objeto principal do conhecimento. O que proponho neste texto é investigar o conhecimento de forma geral. Esta ideia não tem a pretensão de formatar o conhecimento dentro de uma teoria rígida, formatando a reflexão na forma de cristalização.
O conhecimento, o ser humano e a filosofia
O conhecimento é um campo de estudo da filosofia. A própria filosofia é inseparável do problema do conhecimento, quase havendo fusão entre ambos. Para alguns intelectuais estudar filosofia é praticamente estudar do conhecimento humano.
O conhecimento é por excelência uma atividade humana. Partindo da pergunta de ‘de quem é o homem ’. O homem torna-se humano como outros seres humanos, o que significa humanização. Tornar-se humano é um tipo de desenvolvimento que torna o homem um ser humano, o homem nasce uma possibilidade de desenvolvimento. O homem humaniza-se pela inteligência, que na relação com o mundo, nada mais é do que conhecer.
Se perguntarmos ‘O que é o homem?’ A resposta clássica é ‘O homem é um animal racional’. O que significa esta definição? O homem nasce animal, como outro qualquer, mas possui uma potencialidade que o difere: razão. A razão faz toda a diferença i) para si, ii) para o mundo e iii) na relação com os outros. i) O homem torna-se humano, consegue dar sentido, compreender e desenvolver sua inteligência, o que simplesmente é tornar-se humano; ii) O homem consegue transformar o mundo, conhecer a lógica da natureza, intervir na natureza e melhorar; iii) O homem constrói uma sociedade de convívio mútuo, desenvolve a cultura que é repassada pela educação e faz ciência.
O homem possui esta capacidade de se tornar racional, isto significa que a racionalidade desenvolve-se com o ser humano. Esta visão é dos filósofos existencialistas , estes compreendem o homem como um projeto de autodesenvolvimento.
O produto da razão é o conhecimento. O conhecimento permite o homem agir moralmente, trabalhar e transformar o mundo, e ainda repassar o conhecimento.
Enquanto que os animais respondem as necessidades que a vida os impõe, através do instinto, o ser humano reage significativamente diferente, através da atividade intelectual, que é a razão .
O conhecimento é fruto da razão humana. É uma forma não instintiva, que o ser humano encontra para dar resposta aos desafios que o mundo lhe impõe. O conhecimento é uma forma mais sofisticada de se adaptar e reagir ao mundo.
Todo conhecimento que esteja enraizado na essência humana humaniza o homem. Quando se define o ser humano como um ser racional, um ser pensante pretende-se gerir algo diferente: no horizonte do mundo material e físico, a atividade intelectual e o conhecimento ultrapassam este estreito horizonte.
A característica subjetiva do conhecimento permite o ser humano se transformar em um ser diferente: através de cultura, de valores e outras características que emana do ser enquanto racional.
O espírito humano reflete sobre o mundo, mas esta reflexão não é mera sombra do mundo, adquire características singulares, devido à contribuição que o ser humano dá ao mundo, reinterpretando, dando sentido e significados.
Esta reflexão é expressa discursivamente através de palavras, que permitem ao homem manter uma relação mediata com o mundo. Esta mediação é qualitativamente diferente. Quando represento mentalmente um ‘lápis’, está reapresentação mental não é o lápis em si mesmo.
A reflexão não é imediata, mas mediata. O conhecimento é mediado é algo diferente do objeto, mas é uma representação do objeto. Estes meios possibilitam a universalização da experiência, da forma que pode ser usado em outras particularidades, pode ser dita através da linguagem e símbolos; podendo inclusive ser compartilhado com outros seres humanos.
O intelecto humano como sendo não imediato permite o homem transcender a situação empírica e particular, que a singularidade de um sujeito que experiencia têm quando conhece. Permite ao homem manter o passado, especular o futura e dar sentido ao mundo
Permite ao homem fazer umas perguntinhas simples, mas que fazem toda a diferença: o que, como, por que. Vejamos quando nos referimos a um objeto.
I) o que é um lápis? Esta pergunta indaga acerca de uma definição do objeto, é quando a representação mental conceitua a coisa. Ou seja, é o material com o qual nosso pensamento lida: o conceito. As definições dos objetos nunca são possíveis mostrando o objeto, quando se aponta para o objeto dizendo isto aqui é um lápis. A definição é exclusivamente representacional, e uma boa definição deve dar as características essenciais do objeto. Se nós respondemos: ‘O lápis é x (por x compreenderemos que é “um instrumento feito de grafite e utilizado para escrever manualmente com uma das mãos”). Percebemos que logo surgem problemas com estas definições e surgem dúvidas sobre os atributos essenciais para se pensar o conceito de lápis. Imaginemos termos mais escorregadios que não possuem uma apresentação material, como por exemplo, liberdade. É importante salientar que a definições são provisórias e nunca definitivas, são conceituações rasas que permitem o sujeito lidar com o conteúdo mental para refletir. Os conceitos filosóficos nunca são definitivos.
ii) Como é um lápis? Este é o tipo de descrição que fizemos acerca de um objeto. Normalmente com a experiência do objeto, descreve-se o objeto como tendo algumas notas que não são necessariamente essenciais, podem ser meras descrições da aparência. Como sendo preto, grande, pequeno, azul...
iii) Por que é um lápis? Esta pergunta busca o fundamento da representação do objeto, não do objeto. Para as ciências modernas indagar o porquê é indagar a acerca da causa de um determinado efeito. Esta causa é na linha do tempo um momento que está imediatamente anterior e que desempenhe um efeito dominó. Porém, buscar o porquê de forma mais radical é buscar o princípio necessário do objeto ou do evento. Tal indagação radical pode ser um fim teleológico, ou seja, de finalidade da coisa. Vejamos um exemplo mais interessante: Alguém poderia se perguntar ‘Por que eu existo?’, a resposta não necessariamente se encontra no passado, mas também em uma finalidade de sua existência. Em suma, a busca do por que radical foge da esfera temporal, isto é, científica, e encontra resíduos na religião ou em busca de resposta últimas que a filosofia busca.
quinta-feira, 17 de março de 2011
2. A posição da teoria do conhecimento no sistema da filosofia 2 serie
Com essa definição, surge imediatamente uma divisão da filosofia em suas diferentes disciplinas. Como vimos, a filosofia é antes de mais nada auto-reflexão do espírito sobre seu comportamento valorativo teórico e prático. Enquanto reflexão sobre o comportamento teórico, sobre aquilo que chamamos de ciência, a filosofia é teoria do conhecimento científico, teoria da ciência. Enquanto reflexão sobre o comportamento
prático do espírito, sobre o que chamamos de valor no sentido estrito, a filosofia é teoria do valor. A auto-reflexão do espírito, porém, não é fim em si, mas meio para atingir uma visão de mundo. Assim, em terceiro lugar, a filosofia é teoria da visão de mundo. O campo da filosofia divide-se, portanto em três partes: teoria da ciência, teoria do valor e teoria da visão de mundo.
Uma ulterior divisão dessas partes fornece as principais disciplinas da filosofia. A teoria da visão de mundo é decomposta em metafísica (que, por sua vez, divide-se em metafísica da natureza e metafísica do espírito) e em teoria da visão de mundo em sentido estrito, que investiga as questões referentes a Deus, à liberdade e à imortalidade. A teoria do valor divide-se, segundo os diferentes tipos de valor, nas teorias dos valores éticos, estéticos e religiosos. Obtemos, assim, três disciplinas: ética, estética e filosofia da religião. A teoria da ciência, finalmente, é decomposta em teoria formal e doutrina material da ciência. A primeira chamamos de lógica; a última, de teoria do conhecimento.
Assinalamos, assim, o lugar que a teoria do conhecimento ocupa no conjunto da filosofia. Segundo o que foi dito, ela é uma parte da teoria da ciência. Podemos defini-la como teoria material da ciência ou como teoria dos princípios materiais do conhecimento humano. Enquanto a lógica investiga os princípios formais do conhecimento, as formas e leis gerais do pensamento humano, a teoria do conhecimento dirige-se aos pressupostos materiais mais gerais do conhecimento científico. Enquanto a primeira prescinde da referência do pensamento aos objetos e considera o pensamento puramente em si, a segunda tem os olhos fixos justamente na referência objetiva do pensamento, na sua relação com os objetos. Enquanto a lógica pergunta a respeito da correção formal do pensamento, sobre sua concordância consigo mesmo, com suas próprias formas e leis, a teoria do conhecimento pergunta sobre a verdade do pensamento, sobre sua concordância com o objeto. Também podemos, por isso, definir a teoria do conhecimento como a teoria
do pensamento verdadeiro, por oposição à lógica, definida como a teoria do pensamento correto. Torna-se claro, assim, o significado fundamental da teoria do conhecimento para todo o campo da filosofia. É com todo o direito que ela será chamada de philosophia fundamentalis, ciência filosófica fundamental.
Costuma-se dividir a teoria do conhecimento em geral e especial. A primeira investiga a relação do pensamento com o objeto em geral. A segunda toma como objeto de uma investigação crítica os axiomas e conceitos fundamentais em que se exprime a referência de nosso pensamento aos objetos. Começaremos, naturalmente, com a apresentação da teoria geral do conhecimento. Antes, detenhamos brevemente nosso
olhar sobre a história da teoria do conhecimento.
Texto de Jonhan Hessen - Teoria do Conhecimento p.12, 13 e 14
prático do espírito, sobre o que chamamos de valor no sentido estrito, a filosofia é teoria do valor. A auto-reflexão do espírito, porém, não é fim em si, mas meio para atingir uma visão de mundo. Assim, em terceiro lugar, a filosofia é teoria da visão de mundo. O campo da filosofia divide-se, portanto em três partes: teoria da ciência, teoria do valor e teoria da visão de mundo.
Uma ulterior divisão dessas partes fornece as principais disciplinas da filosofia. A teoria da visão de mundo é decomposta em metafísica (que, por sua vez, divide-se em metafísica da natureza e metafísica do espírito) e em teoria da visão de mundo em sentido estrito, que investiga as questões referentes a Deus, à liberdade e à imortalidade. A teoria do valor divide-se, segundo os diferentes tipos de valor, nas teorias dos valores éticos, estéticos e religiosos. Obtemos, assim, três disciplinas: ética, estética e filosofia da religião. A teoria da ciência, finalmente, é decomposta em teoria formal e doutrina material da ciência. A primeira chamamos de lógica; a última, de teoria do conhecimento.
Assinalamos, assim, o lugar que a teoria do conhecimento ocupa no conjunto da filosofia. Segundo o que foi dito, ela é uma parte da teoria da ciência. Podemos defini-la como teoria material da ciência ou como teoria dos princípios materiais do conhecimento humano. Enquanto a lógica investiga os princípios formais do conhecimento, as formas e leis gerais do pensamento humano, a teoria do conhecimento dirige-se aos pressupostos materiais mais gerais do conhecimento científico. Enquanto a primeira prescinde da referência do pensamento aos objetos e considera o pensamento puramente em si, a segunda tem os olhos fixos justamente na referência objetiva do pensamento, na sua relação com os objetos. Enquanto a lógica pergunta a respeito da correção formal do pensamento, sobre sua concordância consigo mesmo, com suas próprias formas e leis, a teoria do conhecimento pergunta sobre a verdade do pensamento, sobre sua concordância com o objeto. Também podemos, por isso, definir a teoria do conhecimento como a teoria
do pensamento verdadeiro, por oposição à lógica, definida como a teoria do pensamento correto. Torna-se claro, assim, o significado fundamental da teoria do conhecimento para todo o campo da filosofia. É com todo o direito que ela será chamada de philosophia fundamentalis, ciência filosófica fundamental.
Costuma-se dividir a teoria do conhecimento em geral e especial. A primeira investiga a relação do pensamento com o objeto em geral. A segunda toma como objeto de uma investigação crítica os axiomas e conceitos fundamentais em que se exprime a referência de nosso pensamento aos objetos. Começaremos, naturalmente, com a apresentação da teoria geral do conhecimento. Antes, detenhamos brevemente nosso
olhar sobre a história da teoria do conhecimento.
Texto de Jonhan Hessen - Teoria do Conhecimento p.12, 13 e 14
sexta-feira, 11 de março de 2011
As meninas-lobo
Na Índia, onde os casos de meninos-lobo foram relativamente numerosos, descobriram-se, em 1920, duas crianç as, Amala e Kamala, vivendo no meio de uma familia de lobos. A primeira tinha um ano e meio e veio a morrer um ano mais tarde. Kamala, de oito anos de idade, viveu até 1929. Não tinham nada de humano e seu comportamento era exatamente semelhante àquele de seus irmãos lobos.
Elas caminhavam de quatro patas apoiando-se sobre os joelhos e cotovelos para os pequenos trajetos e sobre as mãos e os pés para os trajetos longos e rápidos.
Eram incapazes de permanecer de pé. Só se alimentavam de carne crua ou podre, comiam e bebiam como os animais, lan ando a cabeça para a frente e lambendo os liquidos. Na institui ão onde foram recolhidas,
passavam o dia acabrunhadas e prostradas numa sombra; eram ativas e ruidosas durante a noite, procurando fugir e uivando como lobos. Nunca choraram ou riram.
Kamala viveu durante oito anos na instituiÇão que a acolheu, humanizando-se lentamente. Ela necessitou de seis anos para aprender a andar e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário de cinqüenta palavras. Atitudes afetivas foram aparecendo aos poucos.
Ela chorou pela primeira vez por ocasião da morte de Amala e se apegou lentamente às pessoas que
cuidaram dela e às outras crianÇas com as quais conviveu.
A sua inteligência permitiu-lhe comunicar-se com outros por gestos, inicialmente, e depois por palavras
de um vocabulário rudimentar, aprendendo a executar ordens simples.
(B. Reymond, Le développement social de l'enfant et de 1'adolescent, Bruxelas,Dessart,1965, p.12-14, apud C. Capalbo, Fenomenologia e ciências humanas, Rio de Janeiro, J. Ozon Ed.p. 25-26.)
in: Filosofando: Introdução à Filosofia
Elas caminhavam de quatro patas apoiando-se sobre os joelhos e cotovelos para os pequenos trajetos e sobre as mãos e os pés para os trajetos longos e rápidos.
Eram incapazes de permanecer de pé. Só se alimentavam de carne crua ou podre, comiam e bebiam como os animais, lan ando a cabeça para a frente e lambendo os liquidos. Na institui ão onde foram recolhidas,
passavam o dia acabrunhadas e prostradas numa sombra; eram ativas e ruidosas durante a noite, procurando fugir e uivando como lobos. Nunca choraram ou riram.
Kamala viveu durante oito anos na instituiÇão que a acolheu, humanizando-se lentamente. Ela necessitou de seis anos para aprender a andar e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário de cinqüenta palavras. Atitudes afetivas foram aparecendo aos poucos.
Ela chorou pela primeira vez por ocasião da morte de Amala e se apegou lentamente às pessoas que
cuidaram dela e às outras crianÇas com as quais conviveu.
A sua inteligência permitiu-lhe comunicar-se com outros por gestos, inicialmente, e depois por palavras
de um vocabulário rudimentar, aprendendo a executar ordens simples.
(B. Reymond, Le développement social de l'enfant et de 1'adolescent, Bruxelas,Dessart,1965, p.12-14, apud C. Capalbo, Fenomenologia e ciências humanas, Rio de Janeiro, J. Ozon Ed.p. 25-26.)
in: Filosofando: Introdução à Filosofia
Por que filosofar?
(Reflexão jasperiana)
Por Ivan Luís Schwengber
ivansophia@hotmail.com
Jaspers, filósofo alemão diz:“A filosofia é universal. Nada existe que a ela não diga respeito. Quem se dedica à filosofia interessa-se por tudo. Mas não há homem que possa tudo conhecer. Que distingue a vã pretensão de tudo saber do propósito filosófico de apreender o todo? O saber é infinito e difuso; dele se valendo, procura a filosofia aquele centro a que fazíamos referência. O simples saber é uma acumulação, a filosofia é uma unidade. O saber é racional e igualmente acessível a qualquer inteligência. A filosofia é o modo de pensamento que termina por constituir a essência mesma de um ser humano.” Jaspers, p.12
“A filosofia é universal” na medida em que todos os aspectos da realidade podem ser pautados pela filosofia. Não existe um limite ou um assunto que não seja filosófico; o resultado disso é que um filósofo pode se deter sobre todo e qualquer assunto, contanto que trate o assunto filosoficamente. Porém, não pode o filósofo querer tratar de todas as questões, pois corre o risco de cair num discurso estéril e vazio.
O campo alcance do saber filosófico é infinito e ilimitado, porém a capacidade humana é limitada. Parece que nos encerramos em uma contradição: ora como pode a filosofia como atividade humana ser ilimitada, se as condições humanas são limitadas. É justamente isso que torna o conhecimento filosófico absolutamente democrático e assombroso, é que todos os homens podem filosofar de modo peculiar. Cada homem pode e deve dar a sua resposta aos enigmas que circunscrevem sua existência. A infinitude do campo da filosofia está justamente na infinitude de possibilidades que o ser humano tem de ser diferente e único, ‘centro de referência’ próprio.
O que significa tratar um assunto filosoficamente? Em primeiro plano deve ser tratado de forma racional. O verbo ‘Filosofar’ dentre outras coisas encerra algo que raciocinar. Todo o ser humano como ser racional pode filosofar, e aqui novamente esbarramos em um problema, todo conhecimento de alguma forma é racional (ou pelo menos deveria ser), mas o que há de específico na atividade da razão humana quando se propõe a filosofar?
É quando pensamos, no sentido mais profundo de nosso ser, sobre os problemas e desafios de nossa existência. É quando sem medo nos debruçamos sobre os problemas que nos tocam, na profundeza de nossa existência, e buscamos uma resposta. É quando Jaspers diz que a atividade ‘termina por constituir a essência mesma de um ser humano’. Isto significa que por um lado a filosofia é pessoal e subjetiva, pois deve ser um problema que me afeta e que me impulsiona a dar uma resposta só minha. Por outra lado, foge dos limites psicológicos subjetivos e cada homem trata racionalmente de seus problemas, que são os problemas filosóficos, e isso é ser racional. O problema é tratado por cada um como um representante de um ser humano racional, e a resposta sempre tem pretensões de universalidade.
Então a pergunta é: “Estou enfrentando os problemas de minha existência de forma racional, que resulta na absoluta responsabilidade sobre nos?” Pense nisso, a vida não tem desculpas.
Por Ivan Luís Schwengber
ivansophia@hotmail.com
Jaspers, filósofo alemão diz:“A filosofia é universal. Nada existe que a ela não diga respeito. Quem se dedica à filosofia interessa-se por tudo. Mas não há homem que possa tudo conhecer. Que distingue a vã pretensão de tudo saber do propósito filosófico de apreender o todo? O saber é infinito e difuso; dele se valendo, procura a filosofia aquele centro a que fazíamos referência. O simples saber é uma acumulação, a filosofia é uma unidade. O saber é racional e igualmente acessível a qualquer inteligência. A filosofia é o modo de pensamento que termina por constituir a essência mesma de um ser humano.” Jaspers, p.12
“A filosofia é universal” na medida em que todos os aspectos da realidade podem ser pautados pela filosofia. Não existe um limite ou um assunto que não seja filosófico; o resultado disso é que um filósofo pode se deter sobre todo e qualquer assunto, contanto que trate o assunto filosoficamente. Porém, não pode o filósofo querer tratar de todas as questões, pois corre o risco de cair num discurso estéril e vazio.
O campo alcance do saber filosófico é infinito e ilimitado, porém a capacidade humana é limitada. Parece que nos encerramos em uma contradição: ora como pode a filosofia como atividade humana ser ilimitada, se as condições humanas são limitadas. É justamente isso que torna o conhecimento filosófico absolutamente democrático e assombroso, é que todos os homens podem filosofar de modo peculiar. Cada homem pode e deve dar a sua resposta aos enigmas que circunscrevem sua existência. A infinitude do campo da filosofia está justamente na infinitude de possibilidades que o ser humano tem de ser diferente e único, ‘centro de referência’ próprio.
O que significa tratar um assunto filosoficamente? Em primeiro plano deve ser tratado de forma racional. O verbo ‘Filosofar’ dentre outras coisas encerra algo que raciocinar. Todo o ser humano como ser racional pode filosofar, e aqui novamente esbarramos em um problema, todo conhecimento de alguma forma é racional (ou pelo menos deveria ser), mas o que há de específico na atividade da razão humana quando se propõe a filosofar?
É quando pensamos, no sentido mais profundo de nosso ser, sobre os problemas e desafios de nossa existência. É quando sem medo nos debruçamos sobre os problemas que nos tocam, na profundeza de nossa existência, e buscamos uma resposta. É quando Jaspers diz que a atividade ‘termina por constituir a essência mesma de um ser humano’. Isto significa que por um lado a filosofia é pessoal e subjetiva, pois deve ser um problema que me afeta e que me impulsiona a dar uma resposta só minha. Por outra lado, foge dos limites psicológicos subjetivos e cada homem trata racionalmente de seus problemas, que são os problemas filosóficos, e isso é ser racional. O problema é tratado por cada um como um representante de um ser humano racional, e a resposta sempre tem pretensões de universalidade.
Então a pergunta é: “Estou enfrentando os problemas de minha existência de forma racional, que resulta na absoluta responsabilidade sobre nos?” Pense nisso, a vida não tem desculpas.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
E sofremos pelos problemas...
"E não há de se maravilhar que os mais profundos problemas não sejam propriamente problemas" (Wittgenstein)
domingo, 15 de novembro de 2009
"O mundo dos homens devia ter outrora coração, que agora parece que deixou de bater" (Marcel)
O nosso mundo será que deixou de ser humano?
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A informatização no processo de democratização do Brasil
Como a internet pode aumentar a participação cidadã no povo brasileiro? Como a internet está mudando nossas vidas? (Na escola, relacionamentos...)
domingo, 4 de outubro de 2009
O que é dialética
Origens da Dialética
Segundo Aristóteles Zenon de Eléia foi o fundador da Dialética, porém no sentido moderno da palavra podemos considerar Heráclito de Efeso o fundador. A dialética desde o início pode ser considerado uma forma de pensamento que sempre foi considerada como secundária. A dialética é uma forma de pensamento que pretende entender o movimento. O próprio Heráclito foi considerado, obscuro e os gregos preferiram permanecer como as posições de Parmênides, considerada Metafísica, que pretendia compreender a essência imutável da realidade.
“De formão geral, independentemente das concepções dos filósofos, a concepção metafísica prevaleceu, ao longo da história, porque correspondia, nas sociedades dividas em classes, aos interesses das classes dominantes, sempre preocupadas em organizar duradouramente o que já está funcionando, sempre interessadas em “amargar” bem tanto os valores e conceitos como as instituições existentes, para impedir que os homens cedam à tentação de querer mudar o regime social vigente” (Konder, 1981, 9)
Tanto os Clássicos gregos, (Sócrates, Platão e Aristóteles) consideravam o movimento mas limitado, conforme a concepção limitada de mundo. Já na idade Média a filosofia ficou diretamente atrelada a Teologia, somente são destacadas as tentativas de Averróes e Abelardo tentaram fazer da filosofia uma disciplina independente.
Destaca-se Guilherme de Occam que Deus tinha movimento ilimitado e portanto o estudo das coisas empíricas deviam ter um estudo próprio.
Com uma serie de mudanças a partir do século XIV, as concepções começar a mudar: dentre elas a revolução astronômica de Copérnico em relação a visão antropocêntrica de Ptolomeu; e a mobilidade dos corpos que aparentemente estavam em repouso, de Galileu e Descartes. Pico de la Mirondola (1463-1494) sustentando o homem como inacabado, e Giordano Bruno como mundo infinito.
Destacam-se os pensadores Leibiniz, Spinoza, Hobbes, Montaigne..., em tentativas isoladas em dar novos rumos à dialética. Os Iluministas como sua racionalidade deram novos ânimos, destacando-se Denis Diderot.
Diderot compreende o indivíduo subjugado as forças sociais, aconselhando que todos refletissem sobre as instituições: “Desconfiem de quem quer impor a ordem” (Diderot, in Konder, 1981, 17).
Rousseu também merece destaque, argumentando em favor do indivíduo livre que é acorrentado pelos elos sócias.
O trabalho
As mudanças sociais às vésperas da Revolução Francesa, marcar profundamente o pensamento de Kant, que apesar da vida estável e considerado o maior pensador metafísico, não deixou de penar as contradições da época.
Observou que o ser humano não registra passivamente a realidade, numa das mais fantásticas obras filosóficas estabeleceu os limites do conhecimento humano, sem deixar de reconhecer que “existiam certas contradições – as ‘antinomias’ – que nunca poderiam ser expulsas do pensamento humano por nenhuma lógica” (Konder, 1981, 21-22)
Hegel propondo uma superação da concepção kantiana afirma que não podemos pensar a partir do conhecimento e sim a partir da questão do ser. Concordava com Kant quando esta afirmava a intervenção do pensamento na realidade (principalmente com a queda de Bastilha – Revolução Francesa).
Porem o encanto com a Revolução logo caiu, e Hegel constatou que em última instancia não é o sujeito que transforma o mundo, mas a própria realidade.
“Hegel percebe que o trabalho é a mola que impulsiona o desenvolvimento humano; é no trabalho que o homem se produz a si mesmo; o trabalho é núcleo a partir do qual podem ser compreendidas as formas complicadas de atividade criadora do sujeito humano.” (Konder, 1981, 23-4)
É o trabalho que transforma a realidade e o sujeito, enquanto diferente da natureza. O trabalho diferencia o homem-sujeito da natureza-objeto, e faz o homem ir além da natureza e dominar parte dela.
O trabalho serve para compreendermos, segundo Konder, a “superação dialética” (26), num suspender (aufheben) da realidade.
“Para ele, a superação dialética é simultaneamente uma negação de uma determinada realidade, a conservação de algo de essencial que existe nessa realidade negada e a elevação dela a um nível superior” (Konder, 1981, 26)
A obscuridade idealista de Hegel é superada por Marx. Hegel teria visto a unilateralmente o trabalho, dando demasiada importância ao trabalho intelectual, impedindo de perceber a aplicação social e material da sociedade capitalista divididas em classes, míope para esta alienação.
[a lógica dialética segundo Hegel, é uma tentativa muito simplificada de compreender a tripé lógico e dinâmico do conhecimento.
A alienação
O trabalho que é a criação de si, se deformou pela divisão social do trabalho. Com a privatização das fontes (meios) de produção pelas classes dominantes, estes impõem ao trabalhador formas não assumidas livremente. Esta forma de dominação é ideologia, valores impostos pela elite. [em últimos casos recorrem a dominação material do trabalhador, a necessidade que ele tem de viver enquanto ser biológico o obriga a aceitar baixos salários, - esta idéia, de uma certa automatização do materialismo é criticada pelo Konder na pagina 65,].
“As condições criadas pela divisão do trabalho e pela propriedade privada introduziram o ‘estranhamento’ entre o trabalhador e o trabalho, na medida em que o produto do trabalho,antes mesmo de o trabalho se realizar, pertence a outra pessoa que não seja o trabalhador. Por isso, em lugar de realizar-se no seu trabalho, o ser humano se aliena nele; em lugar de reconhecer-se em sua próprias criações, o ser humano se sente ameaçado por elas. em lugar de libertar-se, acaba enrolado em novas opressões” (Konder, 1981, 30)
[acontece que o processo dialético entre o patrão e operário torna-se unilateral. Quando o burguês dispunha das ferramentas e outros meios de produção ele necessitava do proletário para produzir; por sua vez o trabalhador que possuía a capacidade de transformar a natureza (trabalhar) necessitava do patrão para exercer seu ofício. Porém com a divisão do trabalho (esteiras) o trabalhador não domina mais o todo do trabalho, e freqüentemente tem uma especialidade que não permite reconhecer-se no produto final (todo produzido). Acontece que o trabalhador torna-se uma peça da engrenagem, e é facilmente substituído. O trabalhador perde poder de barganha –negociação. Se antes um precisava dou outro, com a divisão social do trabalho isto não acontece mais.]
A única forma de desalienação é a Revolução Socialista. A luta de classes é continua na sociedade, até tornar-se insustentável. A capitalismo se torna incontrolável, devida a competição surgem novas tecnologias, provocando desperdício de recursos naturais e surgindo os monopólios. Os próprios burgueses perdem a noção totalizante.
A totalidade
“...para encaminhar uma solução pra os problemas, o ser humano precisa ter uma certa visão de conjunto deles: é a partir da visão de conjunto que a gente pode avaliar a dimensão de cada elemento do quadro.” (Konder, 1981, 36).
O sistema capitalista impede que o patrão seja generoso com o operário, assim ele sempre enquanto patrão deve ter a empresa dele fazendo concorrência, se ficar com um funcionário ineficiente não consegue mais competir.
As sínteses nunca são definitivas, há sempre partes da realidade a descobrir, “a totalidade é mais que a soma das partes” (37). É necessário manter-se as sínteses em vista do momento, pois só assim compreendemos o movimento dialético.
“Afinal, a dialética – maneira de pesar elaborada em função da necessidade de reconhecermos a constante emergência do novo na realidade humana – negar-se-ia caso cristalizasse ou coagulasse suas sínteses, recusando-se a revê-las, mesmo em face de situações modificadas” (Konder, 1981, 39)
A contradição e a mediação
A investigação totalizante da realidade é problemática e sempre depende de analises praticas, assim quando falamos em sociedade não encontramos propriamente mais que pessoas convivendo, o conceito de sociedade é já uma síntese que não está concretamente explicada no soma dos indivíduos. Estas síntese podem facilmente cair no irracionalismo, que são aparentes, vazias e desestimulantes.
A dialética necessita de um laborioso trabalho de reconhecimento do tecido, que são as contradições especificas das partes em relação ao todo. Assim contra os irracionalistas (intuição imediata) surge em Marx a necessidade de mediação da realidade. Estas mediações forçam o reconhecimento das contradições. Contradição não pode ser compreendida como forma lógica, mas como partes da realidade que só podem ser conhecidas no todo, inclusive as partes que lhe são diferentes.
Fluidificação dos conceitos
Para Marx, Hegel considerava o homem somente espiritual, ele diz que nos somos corpos; que não é espírito que muda a realidade e sim a matéria. A natureza humana só é compreendida na história, porem Marx reconhece que existem aspectos que perduram no tempo. Diz que só é pensada a mudança em confronto com a permanência.
A fluidificação dos conceitos reconhece sempre os dois lados da realidade, optando por esta contradição.
As leis da dialética
Engels com ajuda de Marx, preocupou-se em estabelecer as leis dialéticas, e para que estas tivessem algo a ver com a natureza. As leis são as seguintes:
“1) lei da passagem da quantidade à qualidade (e vice-versa)”, nem todas as coisas mudam no mesmo ritmo, e alem das mudanças quantitativas ocorrem os saltos qualitativos.
“2) lei da interpretação dos contrários” , que as coisas não podem ser compreendidas isoladamente, deve sempre ser compreendida no contexto, formando a luta dos contrários ou unidades contraditórias.
“3) lei da negação da negação” (Konder, 1981, 58). É a defesa do sentido, onde as contradições nunca permanecem negativas, são portanto sempre sintéticas, negação da negação.
A dialética não pode ser coisificada ou codificadas, é nesse sentido limitativa as leis de Engels.
O sujeito e a história
Com a morte de Marx os críticos se lançaram como lobos sobre a dialética. O alemão Eduard Bernstein (1850-1932), afirma que o capitalismo estava mais forte que nunca, e sugeriu o abandono da dialética. Karl Kautsjy (1854-1938), confunde o marxismo como o evolucionismo de Darwin.
No ventre a sociedade soviética prevaleceu a posição antidialética de Stálin, simplicista demais, ignorou as mediações e trabalhava objetivamente. Eliminado objetivamente o que considerava uma ameaça. Foi isolada as tentativas de Lukács, Gramsci e Walter Benjamin
Segundo Aristóteles Zenon de Eléia foi o fundador da Dialética, porém no sentido moderno da palavra podemos considerar Heráclito de Efeso o fundador. A dialética desde o início pode ser considerado uma forma de pensamento que sempre foi considerada como secundária. A dialética é uma forma de pensamento que pretende entender o movimento. O próprio Heráclito foi considerado, obscuro e os gregos preferiram permanecer como as posições de Parmênides, considerada Metafísica, que pretendia compreender a essência imutável da realidade.
“De formão geral, independentemente das concepções dos filósofos, a concepção metafísica prevaleceu, ao longo da história, porque correspondia, nas sociedades dividas em classes, aos interesses das classes dominantes, sempre preocupadas em organizar duradouramente o que já está funcionando, sempre interessadas em “amargar” bem tanto os valores e conceitos como as instituições existentes, para impedir que os homens cedam à tentação de querer mudar o regime social vigente” (Konder, 1981, 9)
Tanto os Clássicos gregos, (Sócrates, Platão e Aristóteles) consideravam o movimento mas limitado, conforme a concepção limitada de mundo. Já na idade Média a filosofia ficou diretamente atrelada a Teologia, somente são destacadas as tentativas de Averróes e Abelardo tentaram fazer da filosofia uma disciplina independente.
Destaca-se Guilherme de Occam que Deus tinha movimento ilimitado e portanto o estudo das coisas empíricas deviam ter um estudo próprio.
Com uma serie de mudanças a partir do século XIV, as concepções começar a mudar: dentre elas a revolução astronômica de Copérnico em relação a visão antropocêntrica de Ptolomeu; e a mobilidade dos corpos que aparentemente estavam em repouso, de Galileu e Descartes. Pico de la Mirondola (1463-1494) sustentando o homem como inacabado, e Giordano Bruno como mundo infinito.
Destacam-se os pensadores Leibiniz, Spinoza, Hobbes, Montaigne..., em tentativas isoladas em dar novos rumos à dialética. Os Iluministas como sua racionalidade deram novos ânimos, destacando-se Denis Diderot.
Diderot compreende o indivíduo subjugado as forças sociais, aconselhando que todos refletissem sobre as instituições: “Desconfiem de quem quer impor a ordem” (Diderot, in Konder, 1981, 17).
Rousseu também merece destaque, argumentando em favor do indivíduo livre que é acorrentado pelos elos sócias.
O trabalho
As mudanças sociais às vésperas da Revolução Francesa, marcar profundamente o pensamento de Kant, que apesar da vida estável e considerado o maior pensador metafísico, não deixou de penar as contradições da época.
Observou que o ser humano não registra passivamente a realidade, numa das mais fantásticas obras filosóficas estabeleceu os limites do conhecimento humano, sem deixar de reconhecer que “existiam certas contradições – as ‘antinomias’ – que nunca poderiam ser expulsas do pensamento humano por nenhuma lógica” (Konder, 1981, 21-22)
Hegel propondo uma superação da concepção kantiana afirma que não podemos pensar a partir do conhecimento e sim a partir da questão do ser. Concordava com Kant quando esta afirmava a intervenção do pensamento na realidade (principalmente com a queda de Bastilha – Revolução Francesa).
Porem o encanto com a Revolução logo caiu, e Hegel constatou que em última instancia não é o sujeito que transforma o mundo, mas a própria realidade.
“Hegel percebe que o trabalho é a mola que impulsiona o desenvolvimento humano; é no trabalho que o homem se produz a si mesmo; o trabalho é núcleo a partir do qual podem ser compreendidas as formas complicadas de atividade criadora do sujeito humano.” (Konder, 1981, 23-4)
É o trabalho que transforma a realidade e o sujeito, enquanto diferente da natureza. O trabalho diferencia o homem-sujeito da natureza-objeto, e faz o homem ir além da natureza e dominar parte dela.
O trabalho serve para compreendermos, segundo Konder, a “superação dialética” (26), num suspender (aufheben) da realidade.
“Para ele, a superação dialética é simultaneamente uma negação de uma determinada realidade, a conservação de algo de essencial que existe nessa realidade negada e a elevação dela a um nível superior” (Konder, 1981, 26)
A obscuridade idealista de Hegel é superada por Marx. Hegel teria visto a unilateralmente o trabalho, dando demasiada importância ao trabalho intelectual, impedindo de perceber a aplicação social e material da sociedade capitalista divididas em classes, míope para esta alienação.
[a lógica dialética segundo Hegel, é uma tentativa muito simplificada de compreender a tripé lógico e dinâmico do conhecimento.
A alienação
O trabalho que é a criação de si, se deformou pela divisão social do trabalho. Com a privatização das fontes (meios) de produção pelas classes dominantes, estes impõem ao trabalhador formas não assumidas livremente. Esta forma de dominação é ideologia, valores impostos pela elite. [em últimos casos recorrem a dominação material do trabalhador, a necessidade que ele tem de viver enquanto ser biológico o obriga a aceitar baixos salários, - esta idéia, de uma certa automatização do materialismo é criticada pelo Konder na pagina 65,].
“As condições criadas pela divisão do trabalho e pela propriedade privada introduziram o ‘estranhamento’ entre o trabalhador e o trabalho, na medida em que o produto do trabalho,antes mesmo de o trabalho se realizar, pertence a outra pessoa que não seja o trabalhador. Por isso, em lugar de realizar-se no seu trabalho, o ser humano se aliena nele; em lugar de reconhecer-se em sua próprias criações, o ser humano se sente ameaçado por elas. em lugar de libertar-se, acaba enrolado em novas opressões” (Konder, 1981, 30)
[acontece que o processo dialético entre o patrão e operário torna-se unilateral. Quando o burguês dispunha das ferramentas e outros meios de produção ele necessitava do proletário para produzir; por sua vez o trabalhador que possuía a capacidade de transformar a natureza (trabalhar) necessitava do patrão para exercer seu ofício. Porém com a divisão do trabalho (esteiras) o trabalhador não domina mais o todo do trabalho, e freqüentemente tem uma especialidade que não permite reconhecer-se no produto final (todo produzido). Acontece que o trabalhador torna-se uma peça da engrenagem, e é facilmente substituído. O trabalhador perde poder de barganha –negociação. Se antes um precisava dou outro, com a divisão social do trabalho isto não acontece mais.]
A única forma de desalienação é a Revolução Socialista. A luta de classes é continua na sociedade, até tornar-se insustentável. A capitalismo se torna incontrolável, devida a competição surgem novas tecnologias, provocando desperdício de recursos naturais e surgindo os monopólios. Os próprios burgueses perdem a noção totalizante.
A totalidade
“...para encaminhar uma solução pra os problemas, o ser humano precisa ter uma certa visão de conjunto deles: é a partir da visão de conjunto que a gente pode avaliar a dimensão de cada elemento do quadro.” (Konder, 1981, 36).
O sistema capitalista impede que o patrão seja generoso com o operário, assim ele sempre enquanto patrão deve ter a empresa dele fazendo concorrência, se ficar com um funcionário ineficiente não consegue mais competir.
As sínteses nunca são definitivas, há sempre partes da realidade a descobrir, “a totalidade é mais que a soma das partes” (37). É necessário manter-se as sínteses em vista do momento, pois só assim compreendemos o movimento dialético.
“Afinal, a dialética – maneira de pesar elaborada em função da necessidade de reconhecermos a constante emergência do novo na realidade humana – negar-se-ia caso cristalizasse ou coagulasse suas sínteses, recusando-se a revê-las, mesmo em face de situações modificadas” (Konder, 1981, 39)
A contradição e a mediação
A investigação totalizante da realidade é problemática e sempre depende de analises praticas, assim quando falamos em sociedade não encontramos propriamente mais que pessoas convivendo, o conceito de sociedade é já uma síntese que não está concretamente explicada no soma dos indivíduos. Estas síntese podem facilmente cair no irracionalismo, que são aparentes, vazias e desestimulantes.
A dialética necessita de um laborioso trabalho de reconhecimento do tecido, que são as contradições especificas das partes em relação ao todo. Assim contra os irracionalistas (intuição imediata) surge em Marx a necessidade de mediação da realidade. Estas mediações forçam o reconhecimento das contradições. Contradição não pode ser compreendida como forma lógica, mas como partes da realidade que só podem ser conhecidas no todo, inclusive as partes que lhe são diferentes.
Fluidificação dos conceitos
Para Marx, Hegel considerava o homem somente espiritual, ele diz que nos somos corpos; que não é espírito que muda a realidade e sim a matéria. A natureza humana só é compreendida na história, porem Marx reconhece que existem aspectos que perduram no tempo. Diz que só é pensada a mudança em confronto com a permanência.
A fluidificação dos conceitos reconhece sempre os dois lados da realidade, optando por esta contradição.
As leis da dialética
Engels com ajuda de Marx, preocupou-se em estabelecer as leis dialéticas, e para que estas tivessem algo a ver com a natureza. As leis são as seguintes:
“1) lei da passagem da quantidade à qualidade (e vice-versa)”, nem todas as coisas mudam no mesmo ritmo, e alem das mudanças quantitativas ocorrem os saltos qualitativos.
“2) lei da interpretação dos contrários” , que as coisas não podem ser compreendidas isoladamente, deve sempre ser compreendida no contexto, formando a luta dos contrários ou unidades contraditórias.
“3) lei da negação da negação” (Konder, 1981, 58). É a defesa do sentido, onde as contradições nunca permanecem negativas, são portanto sempre sintéticas, negação da negação.
A dialética não pode ser coisificada ou codificadas, é nesse sentido limitativa as leis de Engels.
O sujeito e a história
Com a morte de Marx os críticos se lançaram como lobos sobre a dialética. O alemão Eduard Bernstein (1850-1932), afirma que o capitalismo estava mais forte que nunca, e sugeriu o abandono da dialética. Karl Kautsjy (1854-1938), confunde o marxismo como o evolucionismo de Darwin.
No ventre a sociedade soviética prevaleceu a posição antidialética de Stálin, simplicista demais, ignorou as mediações e trabalhava objetivamente. Eliminado objetivamente o que considerava uma ameaça. Foi isolada as tentativas de Lukács, Gramsci e Walter Benjamin
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